Atividades religiosas movimentam o fim de semana em Planaltina
Missas, adoração, shows e encenações marcaram o Domingo de Ramos. No Vale do Amanhecer, fieis de várias partes do mundo buscam a doutrina da Tia Neiva.
Muita fé e devoção, características de Planaltina na abertura da Semana Santa. Na Igreja Matriz de São Sebastião, os fieis celebraram o Domingo de Ramos. “Essa religiosidade tem mais de um século, pois a paróquia tem 130 anos e a tradição dessa festa também. Além da Via Sacra, tem a tradição do Divino. A cidade se mobiliza toda”, conta o padre Paulo Renato da Silva.
Essa mobilização foi demonstrada na tarde de ontem, quando as ruas foram tomadas pela procissão que simula o caminho de Jesus até Jerusalém. A caminhada é interrompida somente para encenações das passagens bíblicas.
As 350 pessoas que participaram da procissão fazem parte do Grupo Via Sacra. Elas ensaiaram muito para participar do ato. “Foram quatro ensaios gerais para estarmos no Domingo de Ramos. Deus chama a gente. Já me chama há 26 anos”, relata o ator Preto Rezende.
Ao fim da procissão, uma missa e a encenação do Domingo de Ramos. Mesmo quem assiste ao espetáculo católico todos os anos garante que a emoção é cada vez maior. “Cada ano fica melhor, cada ano fica maior e traz mais novidades pra gente”, sublinha o professor Jaques da Silva.
Foi um dia inteiro de procissão, missa, adoração e encenação. “A sensação é de missão cumprida. Mais uma vez, mais um ano. Depois de nove anos, ainda estou aprendendo a aceitar este papel, esta missão que Deus me deu”, afirma o ator Saulo Soares, que interpreta Jesus na Via Sacra.
E em Planaltina, há outra religião que também chama a atenção: a doutrina da Tia Neiva. Basta entrar no Vale do Amanhecer para ver as roupas coloridas, com muitos detalhes e brilho. Elas são a marca dos praticantes dos ensinamentos.
“A roupa caracteriza a doutrina do Vale. Você não vê essas roupas em outros lugares”, explica a socióloga Lourdes Flor de Maria. “É uma cultura espiritual. Os mentores espirituais sempre existiram. Nós temos um grande trabalho pela frente, que é o trabalho de caridade. As pessoas que nos procuram, procuram para receber uma ajuda espiritual”, relata o recepcionista João da Rocha.
A doutrina foi criada em 1959 por Neiva Zelaya, conhecida como Tia Neiva. Dez anos depois, a fundadora levou o templo para a região de Planaltina e deu o nome de Vale do Amanhecer.
Quando o Vale foi fundado, todo mundo que morava na região fazia parte da doutrina, mas os anos passaram e a cidade cresceu. Hoje muitos moradores têm outras religiões. “Tem evangélicos, católicos, tem igreja, as pessoas passam de uniforme e todo mundo se respeita, não tem problema nenhum”, conta a dona de casa Edileuza Silva.
O Vale do Amanhecer atrai gente de fora e de muito longe. O comerciante Serafim Fernando veio do Porto, uma cidade portuguesa. “Acho que foi o caminho que eu encontrei. Eu tenho 58 anos e há dois anos que estou na doutrina”, diz.
Mesmo com a morte de Tia Neiva, em 1985, a doutrina não parou de crescer. São 600 templos no Brasil e 20 no exterior. “É libertação, não só para mim, mas para todos nós que estamos aqui, para os visitantes que vêm de fora, os doentes, seja quem for. Na doutrina do Amanhecer, você já sai protegida do mal”, afirma uma praticante da religião.
As celebrações religiosas de Planaltina continuam. Há muita expectativa para a celebração da morte e ressurreição de Cristo, marcada sexta-feira, às 16h. A encenação da chegada de Cristo ao Monte das Oliveiras será na quinta-feira à noite.
Repórter: Luísa Doyle
Produção: Vítor Matos
Imagens: Rafael Sobrinho
Auxiliar técnico: Cláudio Rubens
Edição: Roberta Paz / Thiago Mota
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